quarta-feira, 27 de julho de 2011

MAURINHO DE JESUS






o samba não é raíz
porque é velho
e sim,
porque é profundo











Nome: Mauro de Jesus


Conhecido como: Maurinho de Jesus


Data de Nascimento: 20 de Janeiro (dia de São sebastião-Oxossi no nosso sincretismo)


Nasceu em: São Paulo, no morro de Vila Maria.


Mora em: São Paulo ou em cima do sapato

Profissão: Músico


Escola: Sou paulistano e tenho um carinho especial pelo Camisa Verde, Peruche e Vila Maria mas a minha maior paixão é o Império Serrano; pelo Jongo da Serrinha , pelos partideiros que são de lá, pela nossa maior joia Rara Dona Ivone, enfim por toda a força Africana que existe por lá, a Serrinha tem algo que mexe demais comigo e não consigo explicar com palavras.


Time:
Eu sou Corinthians até morrer !!!


Instrumento, letra, m
úsica...
Os Três.


Sobre as memórias de infância
...



"Sonho meu" de Ivone Lara e Delcio Carvalho na Gravação de Clementina de Jesus aliás,esse disco todo mexe comigo: a capa e a ilustração da Clementina feita pelo Elifas Andreato, os sambas, o cavaco do Carlinhos, os convidados enfim, tudo neste disco têm magia.





Sobre o início...

Pelas mãos de meu pai Carlos de Jesus, compositor, sambista dá pesada da Vila Maria. Foi ele quem me deu um cavaco aos 8 anos de idade e falou: "essa aqui é a sequência de dó maior agora é contigo".

Por onde andou...
O primeiro lugar foi no fundo do quintal de casa onde constantemente tinha roda de samba de meu pai e meu tio, ali ví muito malandro e aprendí muito. Depois foi nos sambas de botequim do meu bairro que sempre teve muito malandro de samba, mas o melhor boteco sem dúvida foi o Bar do Arthur ou Sambartur. Na rua Andaraí. Por lá passou, Nelson cavaquinho, Xangô da Mangueira, Dicró, Nelson Sargento, Zeca Pagodinho sem falar nos bambas da Paulicéia como o grande Armando da Mangueira, enfim quase todo mundo foi lá e eu ví muita gente bamba nesse bar.

Sobre um carnaval...
O Camisa Verde com o lindo samba de Carica e Soró: "Já foi embra meu luar de prata porque é hora de alvorecer ..." 1992.


Por onde anda...

Hoje não estou fixo em casa nenhuma mas é muito facil me encontrar pelas várias rodas de samba que existem pela cidade.


Para terminar...
O mundo do samba está muito unido e isso é algo muito positivo, porém nao devemos nos esquecer que o samba não é raíz porque é velho e sim porque é profundo.

"Samba que me leva pro terreiro
Faz de mim um medianeiro
Pois tem fundamento,
preceito e magia ..."

(Trecho do samba "A LUZ SEMPRE ACESA " de Emerson Urso e Maurinho de Jesus)

e-mail: maurinhojesus@ig.com.br e maurinhodejesus@bol.com.br

terça-feira, 5 de abril de 2011

PAULA SANCHES – A SÍNCOPA EM PESSOA















Nome:
Paula Sanches Vieira

Conhecida como: Paulinha Sanches
Data de Nascimento: 15/02/1981
Nasceu em: Sampa
Mora em: Sampa
Profissão: cantora e mãe
Escola do coração: meu coração pertence aos batuques
Time: SÃO PAULO
e-mail: paulasanchescontato@gmail.com

Instrumento, letra ou música?
Música. Acho que é a junção de tudo.

Músicas que embalam sua memória de infância...
Nossa!!! Muitas, é claro.
Mas tem uma em especial que meu pai fazia o favor de nos acordar sempre... Moreira da Silva, na Subida do Morro. Isso explica muito da minha trajetória. Lembro de acordar e ficar na cama cantando a música até ter coragem de levantar!!! Hahahaha

Sobre o começo...
Certamente pelas mãos de meu avô materno, Seu Waldemar, que era mais conhecido como Chabi (sem duplo sentido, era um apelido carinhoso). Meu avô era simplesmente fanático por sambas. Era o dono de todos os instrumentos do bloco de carnaval do bairro em que morava (Massaguaçu/Caraguatatuba). Além dos instrumentos, ele tinha uma coleção invejável de discos das velhas guardas e de cachaças e bebidinhas. Era bem engraçado porque em todos os Natais a gente nunca tinha problema para presenteá-lo, era só comprar o cd dos enredos das escolas do respectivo ano, ele adorava!!!!
Essa semente do samba que tenho em mim foi plantada por ele, com certeza. Uma pena não ter tido a oportunidade de compartilhar essas coisas que o samba nos traz, batuques, opiniões, risadas, lágrimas. Ele se foi antes!
Mas a semente está e sempre estará aqui, latente, vibrando, como era com ele!

Por onde andou...
Quando despertei para a música, o samba estava guardado. Ainda não havia falado mais alto...então, comecei cantando música pop, rock também.
Tinha dois amigos que tocavam violão e me convidaram para formar um grupo. Eu amei a idéia e ficamos tocando juntos por pelo menos uns 3 anos. Gravamos um cd demo, o qual tinha o prazer de mostrar para todo mundo.
E um belo dia um amigo do trabalho (trabalhávamos em uma Editora, eu no financeiro e ele na revisão de textos) fez o seguinte comentário: “Paulinha, mas você tem uma cara de cantora!!!” e eu disse: “Mas eu sou!!!”
Rapidamente mostrei meu cd pra ele, que disse: “Minha filha, você tem que cantar samba! Vou te apresentar algumas coisas.” Pois ele chegou com uns discos da Clementina de Jesus e Isaurinha Garcia e eu me apaixonei! Também tinha uma amiga que sempre me convidava pra ir tomar umas cervejas na casa dela depois do expediente e ela morava com outra amiga, a Otacília. A Otacília tem um irmão, Antônio, e um dia estávamos tomando cervejas juntas e o Antônio apareceu com seu pandeiro. Comecei a cantar Moreira da Silva e ele pirou!!! Disse que quase ninguém cantava Moreira e que tinha que me apresentar para os amigos da roda de samba. Marcamos um dia e lá fui eu, rumo aos batuques, novamente! O bar era o Sem Saída, aqui em Pinheiros, na Rua Fidalga. Lembro que cantei Acertei no Milhar (a famosa Etelvina) e até hoje, a Diva (dona do bar), me chama de Etelvina. Nunca mais saí do samba.

Um carnaval bom de lembrar...
Bom, eu sou filha do carnaval! Nasci dia 15 de fevereiro de 1981praticamente fantasiada!!! Então o carnaval só me traz sensações boas, gosto mesmo do clima, das marchas, das fantasias, de toda magia que envolve essa data. Mas me lembro de um carnaval que decidi não pular. Eu, minhas irmãs e um amigo fomos acampar em Brotas. Meu Deus!!! Foi um desastre. Aconteceu um fenômeno natural destruidor que derrubou todas as barracas do camping, fazendo as pessoas ficarem desalojadas e terem que dormir no salão, onde seriam realizados os bailes de carnaval... FIASCO! Então, nesse exato momento, arrumamos nossas malas e partimos para Minas Gerais, Monte de Santo de Minas, onde estariam alguns amigos, que são de lá.
Quando chegamos, nos deparamos com um carnaval de rua MARAVILHOSO!!! Todos fantasiados, com direito a muitos confetes e serpentinas!!!
Nunca mais reneguei o carnaval.

Por onde anda...
Bom, como bem disse, nunca mais saí do samba. Meus amigos são do samba, meu marido é do samba...
Encontro-me diariamente com o samba.
Tem alguns lugares que gosto de estar. Ó do Borogodó, além de referência musical, me proporciona grandes amizades. Estou sempre por lá, mas também não perco um churrasquinho, com muito samba, na casa dos amigos, um carteado, regado a samba, na casa das amigas...
Tudo é um pretexto para estar ao seu lado.

Para finalizar...
Eu tenho o privilégio de ter conseguido “me encontrar” ainda nesta vida. Acredito que muitas pessoas passam anos e até uma vida procurando saber das coisas que realmente fazem sentido e dão prazer. Eu encontrei. Graças a Deus!
Vivo um momento de plena luz que me faz conhecer e apreciar todos os momentos intensamente...
Claro que, como cantora, encontro dificuldades de divulgar minha arte como gostaria. A arte não deve ser empurrada goela abaixo de ninguém. Ou as pessoas gostam ou não gostam. Portanto, a grana é bem suada. Mas o prazer que isso me proporciona é imenso.
Então, tento fazer trabalhos paralelos para defender o dimdim e a arte para me sentir livre e feliz. Livre de ego e preconceitos, felicidade exalando por todos os poros.
Pensando sempre, em primeiro lugar, na música!

Um beijão à todos!!!!
Valeu, meu querido Douglas!!!


Curtam um pouco de Paulinha. Duvido que não se mexam na cadeira.
Abraços,
UDJ

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PAQÜERA, JOSÉ ALFREDO DO SAMBA GONÇALVES MIRANDA

Zé Paqüera, Zalfredo, Paqüera.
O Paulistano mais mineirinho das batucadas desta cidade dos losangos e galicismos, dos sambas de sarro e das empreitadas.
Paqüera é feito aqueles jogadores chamados "Coringa", atacante de vocação, atua na lateral, quarta zaga, meia armador e caso o goleiro seja expulso na hora do penalti, vai lá o Zalfredo tentar defender. Pintou possibilidade, tá lá o homem. Compositort, cantor, cavaquinhista, violonista, cozinheiro cheio de mumunhas, eletricista, pintor, maquinista, trapezista, palhaço, atirador de facas. Dizem à boca pequena que sabe até uns pontos de crochê que guarda à sete chaves.

Não sabe falar baixo e onde chega tem zuada. É um tal de "êh eh eh", gargalhadas, abraça daqui, puxa de lá, e surge logo um sol maior em andamento ligeiro:


"Carrega a bandeira do samba, meu bem..."!


Tá feito o furdunço como se diz utilizando o vocabulário Paqüeriano.


Zalfredo, Paqüera, Zé Paqüera, é um dos responsáveis por tudo que acontece de samba nesta cidade. Faz parte de uma geração riquíssima de compositores paulistanos que ainda irão figurar neste UM DE JANEIRO: Carica, Soró, Luisinho SP, Miltinho Conceição, Ademir, Nadão, Naio, Chapinha etc.

Segue um aperitivo, pois Paqüera ainda será mais explorado por este UDJ.

Nome: JOSE ALFREDO GONÇALVES MIRANDA

Conhecido como: PAQÜERA

Data de Nascimento:19 DE NOVEMBRO DE 1959

Nasceu em: SÃO PAULO

Mora em: SÃO PAULO

Profissão: ELETROTECNICO AUTONOMO

Escola: VAI-VAI

Time: CORINTHIANS

Instrumento, letra ou música?
Cavaquinho, violão, Pintura sem arte (Candeia)

Sobre as memórias de infância...
Rosa (Pixinguinha/ Octavio de Souza) cantor: Orlando Silva

Sobre o começo...
Seu Chico, velho chorão que nas noites de sábado embalava a casa do meu amigo Tadeu, tinha eu 13 anos de idade, ouvia sambas antigos, muito choro, valsas e serestas, principalmente da década de 20, 30 e 40 ele me deu o primeiro cavaquinho (toco preto, Rei dos Violões), que calo que fazia !!!!, Misericórdia, até sangrava.

Por onde andou...
Taboão da Serra casa da Claudinha (Jornalista Claudia Alexandre), Barra Funda (rua do Samba, São Paulo Chic), Bexiga, Santa Cecília, Burú (Vila Madalena), Vila Matilde.

Sobre um carnaval...
Dois foram os momentos que me marcarão profundamente: O primeiro aos 6 anos de idade na Av. São João com meus pais, onde passei por debaixo da corda e entrei na avenida junto com a Vai-Vai (sem saber o que era escola de samba) e foi um custo para me tirar.
O segundo foi quando desfilei pela primeira vez na Av. Tiradentes, inesquecível o clima, as batucadas nos botecos, as cabrochas, a muvuca e malandragem do samba, AI! QUE SAUDADE!

Por onde anda...
Eu me encontro no Samba da Vela, e lá que toda segunda feira encontro pessoas, dispostas a compartilhar a música brasileira feita na mais pura essência, sem rótulos, não seguindo os preceitos do evento, encontro com amigos de idéias, de sonhos, desejos e alegria pelo encontro do outro, isso para mim é o SAMBA, corpo,alma e coração ritmados.

Para finaliza...
Sou fruto da árvore Brasileira da Musica, minha herança materna me deu corpo e espírito de sambista, foi ela com seu bandolim e suas melodias do passado que acalentaram minha alma para ser o sambista que sou. Em meu caminho, encontrei amigos de raro talento, que me ensinaram a pisar devagar no lamacento mundo da música. Digo isso por que, foi difícil a jornada para entender a riqueza da simplicidade que a musica brasileira tem. Fui induzido e iludido para o sucesso e esqueci que para isso, tinha que trabalhar muito. Confesso que os aplausos, tapinhas nas costas, elogios, muito me seduziu, mas, fui percebendo com o tempo que a verdadeira boa música brasileira, abre suas portas com alegria do encontro, com o sorriso estampando quando do canto da boa música, do bailado descompromissado do sambista, ou do requebrado magistral da passista.
O samba foi à porta aberta para que encontrasse amigos, irmãos de fé, inimigos, desilusões, alegrias, tristezas, mas sobre tudo, encontrei no Samba, minha consciência, minha espiritualidade e a minha alegria de viver a vida pela arte.

Foto: Robson Almeida


Para nossa profunda e dolorida tristeza, Paqüera faleceu em 24 de julho de 2014. UDJ.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ademir Silva

















Aqui este UDJ faz uma intervenção para dizer que há tempos andava atrás deste compositor. Quem frequentou as rodas de samba e quadras de escola na década de 80, tem memória clara de uma dupla de compositores extremamente produtiva e engajada, que causava certo furor por onde chegava. Faziam sambas ótimos aos montes e sempre foram respeitadíssimos: Ademir e Nadão.


"...um pivete tombou mais um...
e a cabeça girou..."

Aqui, conhecerão, Ademir Silva. Bamba, versador, sambista, compositor inteligente e articulado, cavaquinhista excelente e, com a displicência dos que sabem muito, é encontrado falando, compondo ou cantando samba lá, pelas bandas da saracura.

Boa leitura,
UDJ

Nome: ADEMIR DA SILVA

Conhecido como:
ADEMIR


Data de Nascimento:
27/03/53


Nasceu em:
SÃO PAULO


Mora em:
SÃO PAULO


Profissão:
EMPRESÁRIO, MUSICO E AUTOR


Escola do coração:
VAI-VAI


Time do coração:
CORINTHIANS


e-mail:
ademir@motiva.art.br


Instrumento, letra ou música?
Os três

Sobre as memórias de infância...

CARINHOSO

Sobre o começo...
Caiu na batucada pelas mãos de DONA CÉLIA DO PERUCHE (CÉLIA DO OBA)

Por onde andou...
BOTEQUIM DO CAMISA, BURU, RUA DO SAMBA, CANTINHO DO PERUCHE, BOTECÃO, JB SAMBA E OUTROS

Sobre um carnaval
1987 NOSSO SAMBA CAMPEÃO NA QUADRA E NO CARNAVAL.

A volta ao mundo em 80 minutos
Ademir/Nadão/Mariano

Eu quero é mais que sedução
Brotar o amor no coração
A liberdade, um ideal
Vai vai na avenida é carnaval

A paz virá
Neste momento de alegria
Vou desfilar, irradiando energia
Aos povos sem exceção

Vou fazer com esse canto de amor
Abrir os corações (eu vou...)

Vou dar a volta pelo mundo
Pelo tempo, vou no embalo do vento
Pela linha do horizonte
Retornar ao paraíso
Dentro de mim se preciso
Atingir o apogeu
(e lá vou eu...)

E lá vou eu, lá vou eu
Percorrendo continentes
Procurando da semente
Ver crescer os ideais
A felicidade e muito mais

Trago a esperança da bonança
A fantasia
Minha gente não se cansa de esperar
A completa harmonia

É manhã, clareou

Canto a paz, canto a vida ( BIS )
O esplendor.

Ouça o samba aqui

Por onde anda...
Atualmente, preparando disco de autor e trabalhando com empresas nos meus eventos motivacionais.

Para finalizar...
Sou do samba, tenho uma enorme paixão pelo samba, desde a infância ouvindo o meu pai no trombone, ele era maestro e excelente musico, eu já sentia nas veias esse ritmo maravilhoso, quando ouvia Lá se vão meus anéis eu distinguia cada convenção do surdo na minha mente embora não tivesse nenhuma vontade de ser músico, fui estudar musica clássica, mas logo percebi que meu negócio era mesmo o partido alto, o samba entendo, o samba de roda e outras vertentes desse costume bem brasileiro, me vejo hoje como parte da história do samba pelos sucessos que já compus com meus parceiros e na obrigação de defender essa cultura com toda a minha capacidade intelectual de compor e tocar. NÃO CONSUMO SAMBA FALSIFICADO!


A sugestão do UM DE JANEIRO é a seguinte: O mais importante é respeitar numero baixo, saber o que e quem deu origem ou carregou a bandeira com dignidade, fazer da maneira mais honesta possível, pra deixar sempre uma impressão boa do seu talento e respeito pela nossa história, o samba tem um sentido: comentar o nosso cotidiano e somar experiências, alegrar as pessoas e passar esperança. Essa é a razão pela qual o samba se perpetua, tem começo meio e não terá fim, graças aos talentos que brotam a cada dia nos terreiros de samba do país, samba não tem barreiras e nem fronteiras, é democrático e desprovido de preconceitos, portanto faça samba com carinho e mantenha como meta ser sempre um dos melhores no ramo, um conhecedor jamais um aventureiro respeitando as raízes.

O SAMBA AGRADECE,
ADEMIR

Leia Ademir aqui
Leia Ademir em site dedicado à Velha guarda da Vai-Vai aqui

Ouça um sucesso de Ademir e Nadão abaixo:






terça-feira, 1 de junho de 2010

O Seu Arthur Tirone! O Favela da Barra e do Anhangüera.

















Nome:
Arthur Tirone


Conhecido como: Favela


Data de Nascimento:
05/02/1982


Nasceu em:
Barra Funda


Mora em: Barra Funda

Profissão:
Sei lá!


Escola de Samba:
Camisa Verde e Branco


Futebol:
Corinthians
e-mail: arthur.tirone@gmail.com

Instrumento, letra ou música?
Toco malemá o cavaquinho. Tenho umas poucas músicas, todas devidamente escondidas na gaveta; não sou compositor.

Sobre as memórias de infância...
A primeira música da qual tenho lembrança é um ponto de caboclo cantado no quintal da casa do saudoso Nicola, que uma vez por semana virava um pequeno terreiro de umbanda; e as preces ininteligíveis da Dona Marcina benzedeira. Pouco depois, eu ainda bem fedelho, minha mãe fazia faxina em casa aos sábados com a vitrola rodando Paulinho da Viola, Clara Nunes, Originais, MPB4, Robertão; ela também gostava de ouvir Ray Charles, Sinatra e Frank Valli. São essas as minhas músicas primeiras.

Sobre o começo...
A família da minha mãe tem uma coisa muito forte com a música; todo fim de ano a gente passava as férias lá na terra dela - Guaxupé, sul de MG -, cada ano na casa de uma tia-avó minha (são quatro). Tinha muita Folia de Reis – e, apesar de morrer de medo da figura do Bastião (com aquela máscara), a gente entrava e acompanhava. Quando juntava a família toda tinha muita comida e bebida, cantoria, samba com instrumentos improvisados, marchinha, dança. Aquele monte de gente na maior animação; e as tias da minha mãe tinham essa alegria; era bonito demais! Credito, além disso, ter caído na batucada por causa do futebol de várzea. Meu pai, que sempre jogou no Anhangüera – e como jogava! -, tinha amigos em todos os times da região central. Virava e mexia ele ia assistir jogo no campo do Cruz da Esperança - clube dos mais respeitáveis da cidade -, na CMTC, no Sulamericano, Paulista, etc. Eu gostava do Cruz, era um crioléu de responsa. Depois do jogo eles ficavam bebendo e batucando – eu e o Ângelo, meu irmão gêmeo, devíamos ter oito, nove anos. E cantávamos Agepê, Eliana de Lima, Jovelina, Bezerra. Os caras davam a maior moral, gostavam de ver a gente, bem garoto, cantando. Quando eu já era mais crescido, com uns catorze anos, fui levado por alguns amigos do meu pai pras rodas de samba na Barra Funda, na quadra do Camisa – época em que conheci o pessoal da Velha Guarda e virei uma espécie de mascote do Dadinho, Melão, Paulinho do Cavaco, Gilmar, Bonitão e do maior de todos, Antonio Carlos Apolinário, o finado Zulu. Nessa época que eu comecei a beber (de leve) e a arranhar o cavaquinho. Cantava todo o repertório do Fundo de Quintal, do Zeca, muita coisa da Beth, Guineto – eu era parado na turma do Cacique!

Por onde andou...
Eu gostava de desbravar, conhecer tudo que era samba na cidade, mas vou te dizer: já faz um bom tempo que só vou a samba de amigo meu. (ando meio preguiçoso). Gosto muito dos sambas na casa do meu compadre Fernando Szegeri e também na casa da Railídia. Há uns dois anos conheci, através do meu irmão Bruno Ribeiro, a rapaziada da Vila Teixeira, em Campinas, que é da pesada. Continuo indo no pagode do Zonga na Rua Anhangüera, e de vez em quando armo uma batucada numa ruazinha da Casa Verde, num boteco que guardo a sete chaves.

Sobre um carnaval...
Essa eu assino o que disse o Bruno Ribeiro: carnaval bom a gente não lembra! E confesso: não sou, nunca fui, o bom folião. Sou daqueles que bebe de longe e fica admirando a beleza que mora nessa coisa de se entregar à rua, à Escola. Carnaval é coisa séria...

Por onde anda...
Bebendo conhaque e Cynar no balcão de algum bar na Barra Funda, nos meus amigos, num campo de várzea, na mesa de truco, caxeta e tranca, nas dobradas.

Para finalizar...
Sou um sujeito que respeita a hierarquia – não as oficiais, mas a do mundo. A gente tem que aprender com quem é mais velho.
E pra fechar a conta: tenho medo de quem toca tantan.


Leia o Favela e o registro excelente que ele faz de histórias, memórias e outras bossas no ótimo
BLOG ANHANGÜERA (sempre com trema, por favor!)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Pelé - Batuqueiro de luxo de Canindé e Barra Funda















"...comprei uma caixa
e meu amigo Carlinhos comprou um surdo
e vivíamos azucrinando
os velhinhos da Vila Sabarbosa..."

Nome:
Adilson da Silva

Conhecido como:
Pelé

Data de Nascimento:
10/05/1967

Nasceu em:
Ribeirão Preto

Mora em: Embú
(Mas minha eterna moradia é Ponte Pequena e Canindé onde passei minha infância e adolescência maravilhosa)

Profissão:
Contabilista

Escola:
Camisa Verde e Branco, mas aprendi admirar Nenê da Vila Matilde.

Futebol:
Corinthians

Instrumento, letra ou música?
Instrumento. Reco-Reco.

Sobre as memórias de infância...

Pô não sou muito bom de lembrança mas me lembro meu pai ouvindo Alcione, Benito de Paula, ali já sentia que gostava da coisa.

Sobre o começo...

Minhas primeiras batucadas foram na beira do campo quando ia ver o desafio ao galo no CMTC Clube com as torcidas dos times FRUM e ATLAS, nas matines de baile de carnaval do CMTC, também morava na Rua Deoclecina travessa da Avenida Tiradentes onde tinha os desfiles das escolas de samba eu levantava de madrugada para ver as ultimas escolas desfilar. Lembro também na minha adolescência quando comecei a trabalhar comprei uma caixa e meu amigo Carlinhos comprou um surdo e vivíamos azucrinando os velhinhos da Vila Sabarbosa, no Bairro da Luz, foi ai que comecei a tocar algum instrumento, mas aprendi tocar só um o Reco-Reco... Rs.


Por onde andou...

Tive o prazer de ver muito samba bom na cidade onde guardo na lembrança e aprendi a respeitar o samba como Botecão, Clube do Pagode, Rua do Samba, Em Cima da Hora, Axé, Botequim do Camisa, Só Pra Contrariar, Tia Bete na Barra Funda e Samba de Quinta Feira no Mocidade Alegre onde vi, conheci e aprendi muita gente boa tocar e compor bons Sambas, tive o prazer de participar do Mutirão do Samba onde abriu espaço a todas comunidades existente hoje.

Sobre um carnaval
...
Meu primeiro desfile na bateria do Colorado do Brás. Lembro com muita saudade dos desfiles da Tiradentes onde mesmo sem dinheiro participávamos do carnaval, hoje mesmo desfilando não vemos nada alem da nossa ala.

Por onde anda...

Hoje difícil me ver nos sambas da cidade pois não encontro mais bons sambas então me restrinjo as rodas da casa do meu amigo Everaldo, mas sinto muita falta.

Para finalizar...

Agradecer a DEUS por ter me dado o prazer de ver muita gente boa compondo, cantando, tocando e com eles esta trilhando este caminho do SAMBA valeu meus amigos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Caio Prado - Verticalizando o samba!
























“...acerca de fomentar visibilidade
ao samba de São Paulo, não tenho visto,
coisa própria e criativa para tal acontecimento.”


Nome: Caio Prado Cavalcante

Conhecido: Caio Prado.

Data de Nascimento: 15/04/1974

Nasceu em: Osasco Sp.

Mora em: Jd. Conceição, Osasco.

Profissão: Analista Contábil.

e-mail: pradocaio@zipmail.com.br

Instrumento, letra ou música...
Letra, por ter apenas uma opção...rsrsrsrs.É a forma de expressar nossas experiências e
acontecimentos na vida através do dom que nos foi dado.

Sobre as memórias de infância...
Poxa, na minha memória sobre músicas da infância tem muita coisa, foram diversos rítmos. Por parte do meu Pai (Paraibano), lembro de alguns forrós que embalavam as festas de final de ano... “Você chorou, esperneou e não deixou eu colocar essa aliança no seu dedo...”rsrsrrsrs. Por parte da minha mãe, tem o meu tio Leka que é músico e na época ele tinha uma banda, tocava muito Gil e Caetano. Nas festas de natal e ano novo na casa dos meus avós maternos tocava bastante Martinho da Vila e Partido em 5, e a música que eu mais me lembro é a seguinte: “O negócio é amor, o resto é conversa fiada...”

Sobre o começo...
Pelo próprio ambiente familiar. Meu avó era músico e boêmio e o meu tio Leka
sempre foi envolvido com música também. Eu e meus primos crescemos assistindo
aos ensaios do meu tio com sua banda em casa.

Por onde andou...
Tive o privilégio de frequentar a praça do samba em Osasco, lugar onde pude
ver alguns sambistas bem de perto, como Reinaldo,Royce, Branca di Neve, Zeca, Jovelina e etc.Cheguei a pegar os últimos pagodes com feijoada de sábado a tarde lá no JB Sambar,
na Waldemar Ferreira no Butantã. O botequim do Camisa no tempo bom do Grupo
Sensação, também foi uma época marcante e significativa na minha concepção sobre
o samba.

Sobre um carnaval...
Nasci em um bairro de Osasco chamado IAPI, no Jardim Piratininga, onde todo ano
havia baile de carnaval em um local chamado Delta Futebol Clube. Os bailes que aconteciam ali era o que tinha de mais fantástico, pois eu devia ter entre 9 e 11 anos de idade,lá pela primeira metade da década de 80, e creio ser a melhor lembrança que tenho do carnaval.

Por onde anda...
Especificadamente, todos os sábados entre 15:30 e 16h, no centro de Osasco, na rua Antonio Agú, em frente ao Osasco Plaza Shopping. Neste local é realizada uma roda ao ar livre, onde cantamos muitos sambas em louvor a Deus em um ato de evangelismo.

Pra terminar...
Olha, faz uns 9 anos que eu me converti ao evangelho e desde as minhas primeiras sugestões (há uns 20 anos atrás), acerca de fomentar visibilidade ao samba de São Paulo, não tenho visto, lido ou escutado alguma coisa própria e criativa o suficiente que venha despertar estimulo para tal acontecimento.

quarta-feira, 31 de março de 2010

SELITO SD — O Braço esquerdo do Projeto Nosso Samba de Osasco SP














"...Samba é muito
mais
que musicalidade,
mais que música..."


Nome: Josselito Batista de Jesus

Conhecido como: Selito SD

Data de Nascimento: 09.12.1960

Nasceu em: Uberlândia - MG

Mora em: Bem... oficialmente, em Osasco

Profissão: Funcionário Público

Escola do coração: Camisa Verde e Branco

Time do coração: Santos Futebol Clube – Santástico, o show da Vila!

e-mail: selito.sd@gmail.com

Do couro, das cordas, da letra ou da música...
Tamborim (sem vira, no telecoteco!) e algumas coisas outras mais... Batucada, Batuquejê, Batuque, sempre!
Também gosto de criar, brincar com as letras e as melodias... As letras têm que obrigatoriamente remeter a uma história, fictícia ou não, fundamentada –substanciada. Das notas e tons sei lhes os nomes, sem saber ligar cada aos respectivos. Mas em minha mente as combinações são muitas, diversificadamente abundantes. E com certa intimidade seguimos brincando... Com tempo, muito tempo... pois, sou lento, do tempo lento... muito lento!

Sobre as memórias de infância...
Os pontos do tempo em que ia com minha mãe para o Terreiro (para a Curimba) e ficava ouvindo os pontos e acompanhando os toques dos atabaques batucando nas pernas ou marcando na mão... Depois, no Parque Infantil (a creche de hoje), lembro-me que eu, meu irmão e os amigos Sérgio Ricardo, o Serjão (o Porção do JB Sambar) e seu irmão Paulinho (ambos in memoriam) gostávamos de batucar na mesinha cantando pontos de Caboclo, Boiadeiro, Preto Velho... Ainda no remoto tempo de minha infância as ondas médias do rádio e as vitrolinhas ecoavam Martinho da Vila, Jorge Bem, Jackson do Pandeiro, Partido em 5, Aparecida (Vou correr mundo e perguntar... PartidoAlto)... E já era a Indústria Cultural, o Rio de Janeiro, então Capital, impondo-se a tudo e a todos... Mas a Macumba era nossa!

Sobre o começo...
De minha mãe, pois, fui por ela levado para o terreiro e depois inspirado saia cantando e batucando onde desse para tirar um som. Adolescente tornei-me Ogâ e toquei atabaque primeira vez. Mas a primeira vez que bati tambor foi numa batucada de beira de campo na qual também fui iniciado e onde, por não haver a repressão policíaca, a negrada aproveitava e fazia cabritos e gatos gemerem, berrarem, miarem, tudo sem culpa e na mais perfeita harmonia, pontuados por frigideira, agogô, reco-reco, etc. Pois é, sempre gostei de estar, de andar junto aos mais velhos!

Por onde andou...
Cresci na quebrada, no São Domingos (Butantã), Zona Oeste de Sampa, onde cheguei no dia de meu níver de 3 anos, em dezembro de 1963, após morar um ano na Vila Mariana pois...

“Eu, das Gerais, migrante, tornei-me paulista.
Trazido por meus pais, retirantes em busca de conquistas.
Saídos, tempo faz, da Uberlândia que de Sampa dista.
E aqui, sob o frio e a garoa forjei-me sambista!
E ativista, grevista, esquerdista, sim sinhô!”

Minhas memórias de batucadas remetem-me a esse meu lugar... Decerto que dei meus rolês, fiz minhas caminhadas. Muitos foram os pagodes e batucadas nos botecos, beiras de campo e quintais, sempre com a gente boa gente das Malocas, das Favelas, Guetos, Becos e Bimbocas (Salve, Guitarreiro!) Daí veio minha formação, minha fundamentação.

Sobre um carnaval...
Um, não! Três: os de 1993, 1994 e 1995, anos em que havia no São Domingos, meu eterno lugar, significado e significante do SD de minha alcunha, o G. R. B. C. E. S. COBRAS do BUTANTÃ, que aglutinava de modo tocante os moradores do bairro, a comunidade. Nossa Escola desfilava pelo grupo de Seleção e independentemente de não ganharmos os carnavais, foram, aqueles, anos positivamente marcantes. No carnaval de 1993 desfilamos na Vila Esperança (tradicionalíssimo reduto de samba) com o tema Em Busca de Suas Riquezas cujo samba, de minha autoria, foi cantado por mais de 500 componentes – para mim, um feito! Nos carnavais de 1994 e 1995 desfilamos respectivamente nos bairros Planalto Paulista e Campo Limpo. E nas três oportunidades, dentre outras coisas, fui o puxador/interprete da agremiação, há tempos, não mais existente...

Por onde anda...
O Samba me encontra em mim. O Samba em mim se encontra. Pois o Samba é... Alma – é isto o que o Samba é. E assim como (p. e.) os Maracatus, Candomblés, Jongos, Congados, Catimbós, Capoeiras, etc., também o Samba é muito mais que musicalidade, mais que música que comumente é compreendida de modo equivocado e superficial, esvaída da essência que lhe é dada pelo conjunto dos outros elementos (valores) que constituem a Cultura. Deste modo, o samba, queda reduzido de Cultura a Gênero Musical, meramente. Ora, a música (a musicalidade) é apenas um dos elementos constituintes do conjunto de valores denominado Cultura, o qual permea e que por ele, é permeada. O que quero dizer com isto? Muito simples. Alma e Cultura são, para mim, sinônimos.
Por fim, eu e o Samba nos encontramos no PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco

Para terminar...
Penso ser este um momento, um período propício para a descolonização de Sampa, para a libertação e afirmação de nossas, coisas cá de Sampa. Que jamais deixemos de reverenciar aos Bambas do Rio, mas deixemos sim de ser baba ovo e coloquemo-nos no mesmo plano: 1:1 (um para um), os portadores da Cultura Samba. Somos diferente, temos uma história diferente e que: nem pela Indústria Cultural e tampouco pela Historiografia mereceu especial atenção. Tal devendo-se à muito menor importância de nosso sítio, nosso lugar, São Paulo, em comparação com o Rio de Janeiro, Capital do Império, da república e centro urbano complexo e desenvolvido, em detrimento da provinciana Piratininga muitíssimo mais repressora de tudo aquilo ligado ao popular... Fico por Aqui.

Abraços e... Saudações Sambíticas!!!


Myspace Selito SD

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Roberto Didio - Compositor



"...Mas o Samba de Terreiro, em meu caminho, foi o causador inconteste, cachaça-paixão de vida inteira. Sou todo gratidão."


Nome: Roberto Jesus Didio Junior


Conhecido(a) como: Roberto


Data de Nascimento: 15/06/75


Nasceu em: São Paulo


Mora em: São Paulo


Profissão: Ninja


Escola do coração: Qualquer uma, em qualquer tempo, que não perdeu de vista sua própria gente.


Time do coração: Impoluto Sport Club Corinthians Paulista


e-mail: roberto.didio@hotmail.com


Instrumento, letra ou música?

Letra.


Sobre o começo...

A iniciação aconteceu no futebol: na porta dos estádios, nas caravanas. Quanto ao convívio familiar, meu pai gostava muito dos discos do Bezerra, meu tio tocava violão. Mas o Samba de Terreiro, em meu caminho, foi o causador inconteste, cachaça-paixão de vida inteira. Sou todo gratidão.


Por onde andou

O Morro das Pedras. Tempo de erros e acertos, encontros e desencontros, que deixou alguma saudade.


Sobre um carnaval...

Prefiro um carnaval bom de imaginar: o carnaval do devir. A hora derradeira de cobrar a conta.


Por onde anda...

No escuro, de copo na mão, acomodado na toca, escutando o barulho do gelo e um drink music especial: “Vida Noturna”; perambulando com meu parceiro mais constante, craque favorito, grande Renato; na companhia dos irmãozinhos biriteiros do Terreiro, que o maracujá do Alemão ninguém bate.


P
ara finalizar...

Tem estrela, pois, quem tem bons amigos. É só o que vai ficar pelo salão.

Caibro no politicamente correto. E aquele abraço na rapa.


Ouça Roberto Didio aqui: Cidade das Noites